Havia muito tempo que eu não encontrava dois livros tão excepcionais numa mesma semana, mas em abril li o 'All the light we cannot see', do Anthony Doerr, e o 'The missing shade of blue', da Jenny Erdal. Partindo de uma idéia exposta no 'Investigação acerca do entendimento humano', do David Hume, a Jenny Erdal teceu uma história densa, profunda, mas ao mesmo tempo viciante. Desde a composição das personagens até o enredo, tudo funciona perfeitamente. aqui está o trecho do Hume que forneceu à autora o ponto de partida para sua história:
'Há, no entanto, um fenômeno contraditório que pode provar que não é absolutamente impossível que as idéias nasçam independentes de suas impressões correspondentes. Acredito que se concordaria facilmente que as várias idéias de cores diferentes que penetram pelos olhos, ou aquelas de sons conduzidas pelo ouvido, são realmente diferentes umas das outras, embora, ao mesmo tempo, parecidas. Ora, se isto é verdadeiro a respeito das diferentes cores, deve sê-lo igualmente para os diversos matizes da mesma cor; e cada matiz produz uma idéia diversa, independente das outras. Pois, se se negasse isto, seria possível, por contínua gradação dos matizes, passar insensivelmente de uma cor a outra completamente distante de série; se vós não admitis a distinção entre os intermediários, não podeis, sem absurdo, negar a identidade dos extremos. Suponde, então, uma pessoa que gozou do uso de sua visão durante trinta anos e se tornou perfeitamente familiarizada com cores de todos os gêneros, exceto com um matiz particular do azul, por exemplo, que nunca teve a sorte de ver. Colocai todos os diferentes matizes daquela cor, exceto aquele único, defronte daquela pessoa, decrescendo gradualmente do mais escuro ao mais claro. Certamente, ela perceberá um vazio onde falta este matiz, terá o sentimento de que há uma grande distância naquele lugar, entre as cores contíguas, mais do que em qualquer outro. Ora, pergunto se lhe seria possível, através de sua imaginação, preencher este vazio e dar nascimento à idéia deste matiz particular que, todavia, seus sentidos nunca lhe forneceram? Poucos leitores, creio eu, serão de opinião que ela não pode; e isto pode servir de prova que as idéias simples nem sempre derivam das impressões correspondentes, mas esse caso tão singular é apenas digno de observação e não merece que, unicamente por ele, modifiquemos nossa máxima geral'.O que tem tocado mais frequentemente nos ipods, ipads e iphones aqui de casa são dois álbuns: o novo da Diana Krall, 'Wallflower', e o 'Collected', do Hooverphonic.
Diana Krall sempre entrega sofisticação e excelentes interpretações, tanto cantando quanto ao piano. Ainda que as músicas escolhidas para esse álbum sejam o mais puro clichê, ela as revestiu de uma roupagem nova e interessante. A coletânea do Hooverphonic não é nova, mas é essencial para quem, como nós, gosta de 'fuck music' (trip-hop). São horas de excelente música eletrônica.
. Vale ser assistido :)


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