quarta-feira, 13 de maio de 2015

O QUE SE TEM LIDO, ASSISTIDO E OUVIDO POR AQUI


Somos, aqui em casa, aficcionados do streaming. Música, filmes e até mesmo serviços como o amazon unlimited e o scribd (sei, isso não é streaming) são uma mania nossa. Como consumimos muita música, muitos filmes, séries e livros, valem muito a pena para nós as assinaturas desses serviços. Nesses últimos dias assistimos a uma série original do Netflix, a comédia 'Grace e Frankie' (http://www.imdb.com/title/tt3609352/). O elenco é excelente: Jane Fonda, Lily Tomlin, Martin Sheen e Sam Waterston. É uma comédia com muito nonsense e humor negro sobre dois sócios, na casa dos 70 anos, que decidem assumir que são apaixonados um pelo outro e, por isso, deixar suas mulheres e se casar. O texto é bem feito, inteligente, e os atores estão claramente adorando interpretar suas personagens. Espero que a série ganhe 2a temporada:)


Ainda no Netflix, assistimos à minissérie 'Wolf Hall' (http://www.imdb.com/title/tt3556920/?ref_=fn_al_tt_1), baseada nos livros da Hilary Mantel, sobre o imbróglio Wolsey/Cromwell/Thomas More/Henrique VIII. Como toda série britânica, a produção é excelente, assim como direção e elenco. E, last but not least, quem faz o Henrique é o Damian Lewis, e eu tenho um sério crush pelo Damian Lewis (escrevendo isso, agora, chego a ouvir o indefectível 'voce tem coisa muito melhor em casa' que costuma acompanhar esse tipo de declaração).
A playlist que tem tocado bastante nos meus gadgets é esta, feita por mim mesma no rdio:



Livros, terminei dois nesses dias: o 'Missoula', do Jon Krakauer, sobre estupros que aconteceram nessa cidade universitária americana. Não dá para não nos lembrarmos, ao lermos o excepcional trabalho jornalístico do Krakauer, dos casos divulgados por aqui, referentes à FMUSP.


Além dele, li e amei o 'Sure signs of crazy', da Karen Harrington. a história é sobre uma menina cuja mãe desequilibrada tentou afogá-la e ao seu irmão quando eles eram pequenos. Complementando a coisa, o pai da garota é alcoólatra. Parece estranho dizer que o livro é divertidíssimo, mas ele é. Divertido, humano, tocante. Recomendo fortemente:)


POLENTA CREMOSA COM RAGÚ DE COGUMELOS E COUVES-DE-BRUXELAS ASSADAS


Desde criança, polenta é, para mim, ideal para noites de chuva e frio. Principalmente a polenta cremosa, adicionada de queijos e ervas. Ontem, chegando em casa sob garoa e vento frio, não tive dúvidas: Pus caldo e leite no fogo e peguei meu pacote de polenta italiana no armário. Queijo fontina ralado e sálvia fresca foram selecionados para incrementar a polenta, que decidi servir com um ragú de cogumelos e com couves-de-bruxelas que eu tinha no freezer. Apenas descongelei, parti cada uma em 4 partes (usei 12 couves) e levei ao forno para assar, regadas com um fio de azeite, gotas de balsâmico e polvilhadas com sal rosa do Himalaia. Pronto: comfort food até para quem não acredita no conceito de comfort food :)
Veja como eu fiz:

Polenta:

1 e 1/2 xícaras de caldo de legumes
1 e 1/2 xícaras de leite
1 xícara de polenta (por favor, não use aquele troço hediondo chamado 'polenta instantânea'. use fubá)
1 colher de sopa de manteiga
1/2 xícara de chá de queijo fontina ralado
1/4 de xícara de chá de queijo parmesão ralado
1/4 de xícara de chá de folhas de sálvia limpas e picadas

Leve o caldo e o leite ao fogo. Espere ferver e adicione, em chuva, a polenta. vá mexendo sem parar até que a polenta esteja cozida. Desligue o fogo e adicione os queijos, a sálvia e a manteiga. Misture bem e sirva com o ragú e as couves-de bruxelas assadas.

Ragú de cogumelos:

500g de cogumelos variados (usei shiitakes e cogumelos Paris) picados
1/4 de xícara de chá de azeite
2 cebolas pequenas picadas
5 dentes de alho amassados
1 colher de sopa de tomilho fresco picado
1 colher de sopa de alecrim fresco picado
1 xícara de vinho tinto seco
sal e pimenta-do-reino a gosto

Aqueça o azeite numa panela, adicione a cebola picada e depois o alho. deixe murchar um pouco e acrescente os cogumelos. Adicione o vinho e vá misturando até os cogumelos ficarem macios e o vinho ter evaporado bem. Desligue o fogo, adicione as ervas e tempere com sal e pimenta-do-reino. Misture esse ragú às couves-de-bruxelas já assadas e sirva sobre a polenta bem quente. Rale queijo parmesão por cima na hora de servir.






BOLO DE CHOCOLATE COM SAUERKRAUT


Detesto o sabor de conservas fermentadas. Profundamente. Sim, são extremamente saudáveis, mas não dá. Olho para elas com a mesma animação de uma criança olhando para brócolis. No entanto, vivo com um entusiasta do kimchi, do Sauerkraut, dos chutneys, e aprendi a fazê-los. Sempre há por aqui um vidro de Sauerkraut caseiro, e qual não foi a minha surpresa quando encontrei uma receita de bolo de chocolate com Sauerkraut. Ressabiadíssima, peguei do vidro de Sauerkraut, do cacau em pó Callebaut, de um saco com 2,5 kg de callets meio-amargas, e decidi ver que apito tocava o trem (apud minha mãe). Surpreendentemente, o bolo ficou uma delícia. A textura, aprimorada pela conserva fermentada, ficou sensacional, e o sabor era de puro cacau belga. Recheei e cobri com buttercream de chocolate, e já temos em casa um novo favorito. Tente fazer, e veja como fica bom. Só nãso conte para as pessoas como o bolo foi feito, pelo menos não antes delas estarem comendo o 2º pedaço :)
No excelente site da Pat Feldman (http://pat.feldman.com.br/) tem várias receitas de conservas lactofermentadas, inclusive a do Sauerkraut, mas tem pronto para comprar, se voce não quiser fazê-lo. O bolo em si é fácil de ser feito, olha só:

Ingredientes:
1/2 xícara de chá de manteiga sem sal amolecida
1 e 1/2 xícaras de chá de açúcar (usei o mascavo, mas pode ser qualquer um)
3 ovos
1 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 xícara de chá de cacau em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de fermento em pó
3/4 de xícara de chá de Sauerkraut escorrido e bem espremido
1 xícara de chá de água
2 xícaras de chá de farinha de trigo

Bata em creme a manteiga e o açúcar. Adicione, sempre batendo, um ovo de cada vez, e bata até a mistura ficar bem clara e fofa. Peneire e misture os ingredientes secos, e adicione-os à massa, sem bater, apenas misturando e alternando com a água. Adicione o Sauerkraut, e misture bem. Asse o bolo em forno moderado, por cerca de 40 minutos. Espere esfriar, desenforme, corte ao meio, recheie e cubra com o buttercream de chocolate.

Buttercream de chocolate:
Bata 1 e 1/3 xícaras de manteiga sem sal amolecida com 150g de chocolate meio-amargo derretido e frio. Sem desligar a batedeira, vá adicionando em fio cerca de 1/2 lata de leite condensado. Pare de adicionar o leite condensado quando a textura estiver cremosa, mas ainda firme. Deixe gelar por uns 30 minutos e empregue.


terça-feira, 5 de maio de 2015

O QUE SE TEM VISTO, OUVIDO E LIDO POR AQUI


Havia muito tempo que eu não encontrava dois livros tão excepcionais numa mesma semana, mas em abril li o 'All the light we cannot see', do Anthony Doerr, e o 'The missing shade of blue', da Jenny Erdal. Partindo de uma idéia exposta no 'Investigação acerca do entendimento humano', do David Hume, a Jenny Erdal teceu uma história densa, profunda, mas ao mesmo tempo viciante. Desde a composição das personagens até o enredo, tudo funciona perfeitamente. aqui está o trecho do Hume que forneceu à autora o ponto de partida para sua história:
'Há, no entanto, um fenômeno contraditório que pode provar que não é absolutamente impossível que as idéias nasçam indepen­dentes de suas impressões correspondentes. Acredito que se concor­daria facilmente que as várias idéias de cores diferentes que penetram pelos olhos, ou aquelas de sons conduzidas pelo ouvido, são realmente diferentes umas das outras, embora, ao mesmo tempo, parecidas. Ora, se isto é verdadeiro a respeito das diferentes cores, deve sê-lo igual­mente para os diversos matizes da mesma cor; e cada matiz produz uma idéia diversa, independente das outras. Pois, se se negasse isto, seria possível, por contínua gradação dos matizes, passar insensivel­mente de uma cor a outra completamente distante de série; se vós não admitis a distinção entre os intermediários, não podeis, sem ab­surdo, negar a identidade dos extremos. Suponde, então, uma pessoa que gozou do uso de sua visão durante trinta anos e se tornou per­feitamente familiarizada com cores de todos os gêneros, exceto com um matiz particular do azul, por exemplo, que nunca teve a sorte de ver. Colocai todos os diferentes matizes daquela cor, exceto aquele único, defronte daquela pessoa, decrescendo gradualmente do mais escuro ao mais claro. Certamente, ela perceberá um vazio onde falta este matiz, terá o sentimento de que há uma grande distância naquele lugar, entre as cores contíguas, mais do que em qualquer outro. Ora, pergunto se lhe seria possível, através de sua imaginação, preencher este vazio e dar nascimento à idéia deste matiz particular que, todavia, seus sentidos nunca lhe forneceram? Poucos leitores, creio eu, serão de opinião que ela não pode; e isto pode servir de prova que as idéias simples nem sempre derivam das impressões correspondentes, mas esse caso tão singular é apenas digno de observação e não merece que, unicamente por ele, modifiquemos nossa máxima geral'.
O que tem tocado mais frequentemente nos ipods, ipads e iphones aqui de casa são dois álbuns: o novo da Diana Krall, 'Wallflower', e o 'Collected', do Hooverphonic. 




Diana Krall sempre entrega sofisticação e excelentes interpretações, tanto cantando quanto ao piano. Ainda que as músicas escolhidas para esse álbum sejam o mais puro clichê, ela as revestiu de uma roupagem nova e interessante. A coletânea do Hooverphonic não é nova, mas é essencial para quem, como nós, gosta de 'fuck music' (trip-hop). São horas de excelente música eletrônica.


Assisti, no domingo a um filme que escolhi no Netflix, chamado 'Sedução' ('Cracks') (http://www.imdb.com/title/tt1183665/). Eva Green, lindíssima, é a protagonista. A história, ambientada na Inglaterra da década de 30, mostra um internato para meninas consideradas 'indesejáveis' por suas famílias. Eva interpreta (canastronicamente, diga-se) uma professora de Educação Física, que treina o grupo de saltos ornamentais da escola. As meninas a idolatram, e adoram as histórias que ela conta sobre sua vida antes de chegar ao colégio, cheias de aventuras e de viagens fascinantes. O que se descobre, depois, é que são histórias inventadas, baseadas em livros, e que ela nunca saiu do colégio, desde que era aluna ali. A desintegração mental da professora vai se aprofundando, acelerada pela chegada de uma aluna nova, espanhola, que, ela sim, viveu aventuras reais (uma delas, que envolveu a fuga com um marxista, foi responsável pelo envio da garota ao internato). A garota despreza a professora, que fica obcecada por ela, e o filme vai mostrando as tentativas de manipulação de ambas, assim como angústia que, por um ou outro motivo, perpassa as vidas de todas aquelas mulheres que devem viver ali, juntas, sem contato com suas famílias e amigos. Excetuando-se a canastrice da Eva, o filme é bom

. Vale ser assistido :)

MOUSSE DE TIRAMISÚ


Continuando com a saga das boas rotinas aqui de casa, as segundas-feiras decadentes são as rotinas preferidas do glicosólatra com quem eu divido a vida e os cachorros. Com 1,98m de altura e correndo todas as manhãs, ele não corre o risco de engordar. Ao contrário de mim, que tenho uma matrona italiana inside, pronta para sair à simples aproximação de um mero chocolate. Portanto, as segundas-feiras decadentes são exclusivamente para ele. Para mim, restam os fins-de-semana:)
Ontem optei por essa mousse de tiramisú, porque havia preparado mascarpone caseiro no sábado. É uma sobremesa facílima, leve, e de sabor bem diferenciado. Use um bom chocolate e um café de primeira linha, e voce fará sucesso:)
Ah sim: seguindo a sugestão de uma ex-aluna e atual amiga, começarei hoje a tag #52decadentmondays, com as receitas das nossas sobremesas das 2as
:)
Aqui vai a receita, suficiente para 4 porções:
65g de açúcar
3 gemas
3 folhas de gelatina incolor
200g de mascarpone
175ml de creme de leite fresco
100g de chocolate meio-amargo
50ml de café forte.

Coloque as folhas de gelatina de molho em água fria por uns 10 minutos. À parte, bata as gemas com o açúcar até o ponto de gemada clara e fofa. Adicione o mascarpone aos poucos, sem parar de bater. continue batendo, e adicione o creme de leite, também aos poucos. pare de bater e adicione as folhas de gelatina amolecidas e escorridas. Misture bem, até que a gelatina esteja dissolvida.
derreta o chocolate em banho-maria e adicione o café, formando uma calda grossa. Faça camadas, num refratário ou em taças individuais, de mousse e de calda. Leve para gelar por umas 4 horas, enfeite com chocolate ralado e cacau em pó, e pronto:)